Mitos sobre colchões

IMG 0010 300x187 Mitos sobre colchõesUma indústria dinâmica e concorrida como a de colchões acaba produzindo muita informação que pode não ser propriamente a mais exata ou isenta. No afã de vender mais, publicitários podem abusar de frases de efeitos, termos pomposos, e o leigo tende a ficar confuso, sem saber o que realmente considerar para decidir a compra de um colchão.

É natural do ser humano, também, dar mais credibilidade a quaisquer termos rebuscados e aparentemente técnicos do que a informações simples e diretas. Este comportamento favorece a disseminação das lendas e mitos sobre os colchões.

Para tentar diminuir a confusão, compilamos uma lista com alguns dos principais mitos e lendas sobre colchões.

Preço

Esta talvez seja a questão mais controversa de todas as que envolvem a compra de um colchão: não necessariamente um colchão muito caro vai ser o melhor, como também não necessariamente um colchão bom vai ter que custar caro. Tudo depende do biotipo do usuário, e o grau de luxo que se pretende.

Bom senso é fundamental, pois é certo que os fabricantes vão sempre aumentar sua margem de lucro nos modelos topo de linha (ou “linha alta”), e vão apertar as margens devido à maior concorrência nos modelos mais populares (ou “linha baixa”).

Um modelo intermediário de colchão pode representar uma melhor compra, caso seja uma escolha consciente.

Os estudos de Linus Pauling

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Llinus Pauling (Portland, 28 de Fevereiro de 1901 — Big Sur, 19 de Agosto de 1994)

É muito comum entre os criadores de boatos atribuir suas teorias estapafúrdias a estudiosos renomados, para emprestar deles alguma credibilidade. Caso seja um pesquisador já falecido mas um nome extremamente conhecido no meio da Física, tanto melhor.

Alguns vendedores de colchão de espuma, na tentativa de desmerecer os colchões de mola, criaram uma teoria de que o metal das molas afeta o campo magnético natural do corpo.

De fato, tirando-se a mesma informação copiada e colada à exaustão em sites de conteúdo duvidoso ou tendenciosos, não há informação que dê conta destes supostos malefícios dos colchões de mola à saúde humana.

Além disso, posso dizer pessoalmente: sou profissional da área há muitos anos, já passei por reiterados treinamentos e atualizações, e nunca em meu meio profissional ouvi falar de tais “pesquisas”.

Os “milagrosos” colchões magnéticos

A esse respeito, aconselhamos a leitura do texto Colchões Magnéticos ou Bioquânticos.

Colchão para gordo

Devido aos processos de fabricação principalmente das espumas utilizadas nos colchões, não se conhece nenhum colchão com suporte de peso superior a 150kg.

Infelizmente para os portadores de obesidade mórbida, pela razão explicada acima, não se tem notícia de, no mercado, nenhum fabricante que ateste que seu produto suporta acima de 150kg.

A sugestão para os mais pesados é que adquiram o melhor colchão que puderem, e que estejam preparados para que a vida útil deste seja bastante reduzida. O que para uma pessoa dita “normal” pode durar de cinco a dez anos (e não falamos aqui de validade e garantia de colchões) para uma outra, portadora de sobrepeso, poderá durar apenas a metade.

Falando-se de colchões de molas, recomenda-se aos obesos que procurem sempre colchões com 30cm ou mais de altura, para que a vida útil do colchão seja aproveitada ao máximo possível.

Fabricante

Outra das lendas em que as pessoas acreditam, contaminadas pela propaganda massiva, é que fabricantes conhecidos sempre terão produtos de alta qualidade. Muita propaganda significa apenas um alto orçamento para publicidade. Não é raro vermos fabricantes tradicionais, com mais de 50 anos de atividade, serem rotulados de “desconhecidos” apenas por não terem uma política de anúncios tão agressiva.

Recomendamos que antes de acreditar em qualquer propaganda se faça uma pesquisa de satisfação entre conhecidos. Pergunte aos amigos, colegas de trabalho, vizinhos, se eles tiveram alguma experiência com o colchão da marca “tal”, e qual foi. Os resultados podem ser surpreendentes!

Garantia e validade

Estudos comprovam que após três a cinco anos de uso um colchão de espuma terá atingido o limite de sua vida útil. Três anos é, portanto, a garantia máxima da espuma de um colchão (para mais informações veja: Durabilidade, Validade e Garantia de Colchões).

Já no que diz respeito ao sistema de molas as coisas são diferentes. Uma mola pode durar até cinquenta anos ou mais, pois normalmente são forjadas em aço carbonado.

Assim, quando um fabricante fala em garantia acima de três anos (é muito comum o “papo de vendedor” incluir dez anos, quinze anos) está se referindo, com certeza, apenas a algum componente do colchão, e não ao conjunto todo.

Destarte, é correto concluir que a validade de um colchão será igual à menor garantia de seus componentes individuais, normalmente à da espuma.

Suporte e Carga

Sempre que se fala em espuma, pensamos em densidade real, que vem a ser a espuma de mais alta qualidade.

Na busca por custos mais baixos, para atender um mercado cada vez mais sedento por produtos baratos, os fabricantes podem incluir outras substâncias (chamadas de “carga”) na fórmula da espuma (ver: Como se calcula a densidade de um colchão de espuma).

Normalmente os colchões que não são de densidade real apresentam os prefixos S ou C no lugar do D, e podem chegar até a S70 (ou C70). Espumas de densidade real não vão além, por questões de física e química, de D45 ou HR50.

Atualização: o mercado agora dispõe de espumas da nova tecnologia HR (High Resilience, ou alta resiliência), que com sua formulação química mais moderna resulta num colchão de melhor qualidade.

Por definição, espumas com carga são inferiores às espumas de densidade real, e sua durabilidade é bastante reduzida, e suas garantias também.

Há que se prestar atenção também no fato de alguns fabricantes não usarem nem S e nem C, e venderem colchões de espuma com carga rotulados como D.

Atualização: a sugestão que damos é de preferir sempre colchões certificados pelo INMETRO.

Colchão ortopédico

Há um mito ainda muito difundido de que colchões ortopédicos são colchões duros.

Há inclusive quem procure por colchões com caixa de madeira como se fossem ortopédicos. Estudos médicos recentes levam à conclusão de que esses colchões são, na verdade, prejudiciais à saúde da pessoa.

É um erro gravíssimo associar colchões duros à função ortopédica, que só será obtida combinando o colchão correto com o biotipo do usuário. Ortopédico é algo que se molda, adaptando-se ao corpo.

Para saber mais, leia o texto: o que é um colchão ortopédico.

Espuma da Nasa

Dentre os muitos modismos que a propaganda cria, podemos destacar a “espuma da Nasa”, apelido com que se popularizou a espuma viscoelástica.

Muita gente acha que a espuma viscoelástica (“visco” para os mais íntimos) é o supra-sumo do conforto. Porém, não se pode exagerar.

Para começar, a resiliência (capacidade de um corpo de voltar à sua forma original após sofrer pressão) da espuma viscoelástica é muito baixa. Só por isso já se depreende que uma camada muito espessa de viscoelástico acabaria virando um buraco quando uma pessoa se deitasse sobre ela.

Ou seja, morre o mito de que colchões inteiros feitos de viscoelástico sejam confortáveis ou mesmo ortopédicos (ver a seção acima).

Uma simples camada junto ao bordado do tampo do colchão é suficiente para dar o conforto necessário ou esperado. A espuma viscoelástica foi criada para absorver impacto, e não para prover conforto.

Brindes

Um dos artifícios que o comércio usa para fazer vendas casadas é oferecer um produto de brinde na compra de outro.

Na verdade, quando uma loja oferece travesseiros, lençois, capas de colchão, saias de box ou qualquer outra coisa de brinde, na verdade o preço destes já está embutido no preço de venda do colchão. Caso não necessite do produto que está sendo ofertado, negocie para que o vendedor tire do preço de venda do colchão o valor referente ao “brinde”.

Tratamento antifungos, antiácaros e outros

Quando os colchões novos saem de fábrica, normalmente contam com o benefício de tratamentos químicos contra fungos, ácaros, mofo, etc.

Infelizmente estes não duram tanto quanto o colchão. Os produtos químicos utilizados nestes tratamentos têm uma validade tal como a dedetização de uma casa, por exemplo. Normalmente a durabilidade deles será de aproximadamente seis meses, oscilando sob a ação de variáveis externas (como umidade, temperatura, etc).

Conclusão

Esperamos ter podido contribuir para que alguns enganos comuns em que as pessoas acreditam, e que possam afetá-las negativamente na escolha de um colchão, tenham sido esclarecidos.

Atenção: o texto acima ampara-se no direito fundamental à manifestação do pensamento, previsto nos arts. 5º, IV e 220 da Constituição Federal de 1988. Vale-se do “animus narrandi”, protegido pela lei e pela jurisprudência (conferir AI nº 505.595, STF).

  

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